
Digaí, meu povo! Como estão os corações depois dessa maratona eleitoral?
Passados o primeiro e o segundo turnos, a apuração terminou e o Brasil já sabe quem vai ocupar a Presidência da República pelos próximos quatro anos. Mas, por aqui, a gente ainda tem muita coisa para conversar sobre essa eleição.
Lula foi reeleito presidente após uma disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro. E, pela primeira vez na história das eleições presidenciais brasileiras, um candidato conseguiu reverter a desvantagem do primeiro turno e vencer no segundo. Foram mais de 64 milhões de votos para Lula, cerca de 4,4 milhões a mais do que o adversário.
E quem voltou a ocupar o centro das conversas políticas? O Nordeste, é claro!
Só que, se tem uma coisa que a gente insiste em dizer por aqui, é que não dá para entender a nossa região olhando apenas para os mapas eleitorais que circulam nas redes sociais. Por trás daqueles números, há muita história. Tem gente que saiu de casa para votar mesmo sem ser obrigada, municípios indígenas onde Lula recebeu mais de 90% dos votos e uma mobilização que levou milhares de pessoas a mais às urnas.
Também tem muita coisa acontecendo depois da votação. Enquanto uns comemoram, outros questionam os resultados, e episódios de violência política mostram que os desafios da democracia não terminam quando as urnas são fechadas.
Para entender melhor tudo isso, a gente reuniu reportagens de veículos independentes do Nordeste que foram além dos números e ajudaram a contar essa eleição a partir dos nossos territórios. Simbora!

O mapa da virada
Como é que um candidato sai do primeiro turno com mais de 2 milhões de votos atrás do adversário e termina o segundo com uma vantagem de 4,4 milhões? A Agência Tatu, de Alagoas, buscou a resposta e analisou dados de mais de 93 mil locais de votação no Brasil e no exterior. O resultado é um mapa interativo que mostra onde Lula ganhou terreno e como os votos disputados ajudaram a mudar o resultado da eleição. É jornalismo de dados daqueles que a gente gosta!
A cidade mais lulista do Brasil é indígena e sertaneja
Lá no Sertão de Pernambuco, a cerca de 500 quilômetros do Recife, fica Carnaubeira da Penha. Foi neste município de pouco mais de 12 mil habitantes que Lula recebeu sua maior votação proporcional no país: 92,34% dos votos válidos. A cidade também tem a maior proporção de população indígena de Pernambuco, com presença dos povos Pankará e Atikum. O Marco Zero Conteúdo conta um pouco da história desse território, onde política, identidade e ancestralidade se encontram.
Mais gente nas urnas
E não foi só a mudança de voto que fez diferença nessa eleição, viu? O comparecimento também aumentou. No Rio Grande do Norte, quase 62 mil pessoas que haviam deixado de votar no primeiro turno compareceram às urnas no segundo. No país inteiro, foram aproximadamente 3 milhões de eleitores a mais. O Saiba Mais, do RN, mostra como a queda da abstenção fez parte da mobilização eleitoral que marcou a disputa.
Aos 91 anos, ela fez questão de votar
E já que estamos falando de mobilização, não podemos deixar de lado os idosos, que foram fundamentais para a virada. Aos 91 anos, Eunice Lessa Machado surpreendeu a família ao anunciar que queria votar no segundo turno. Ela, que viveu os anos de repressão da ditadura militar, estava há algumas eleições sem comparecer às urnas. Como o voto é facultativo para quem tem mais de 70 anos, não precisava sair de casa. Mas fez questão de participar.
A violência política não acabou com a eleição
Nem tudo foi comemoração depois do resultado. A Revista Afirmativa, da Bahia, reuniu denúncias de agressões, ataques racistas e outros episódios de violência política registrados durante e após o segundo turno. A reportagem mostra como a intolerância política continua colocando em risco a participação democrática e a integridade física de pessoas em diferentes partes do país.
Castanhas
A disputa pelo governo do RN: Cadu de Lula conseguiu reverter o resultado em 31 municípios entre o primeiro e o segundo turno, enquanto Allyson Bezerra venceu em Natal. O Saiba Mais mostra como o interior do estado teve um papel importante na eleição.
Violência contra povos indígenas: A Revista Afirmativa também acompanhou denúncias de ataques a comunidades indígenas após o segundo turno, incluindo episódios no Mato Grosso do Sul.
E as pesquisas eleitorais, hein? O Blog do Barreto comparou as projeções de diferentes institutos com os resultados das urnas no Rio Grande do Norte. Uma boa leitura para refletir sobre os acertos e as diferenças entre as pesquisas e a votação.
As eleições terminaram, mas o trabalho de entender o que aconteceu e acompanhar o que vem pela frente está apenas começando. E a gente segue por aqui, de olho nas histórias que nascem dos nossos territórios e nem sempre ganham espaço no noticiário nacional.
E, se tem uma coisa que essa eleição nos mostrou, é que a comunicação digital também ocupa um papel central na disputa política. As redes sociais, os conteúdos compartilhados e a circulação de informações ajudaram a mobilizar eleitores e a construir narrativas sobre o país. Mas essa disputa não termina com o fechamento das urnas. Pelo contrário: é no cotidiano que se constroem os espaços de diálogo, se enfrenta a desinformação e os discursos de ódio e se fortalecem outras formas de contar a realidade.
Por isso, apoiar o jornalismo independente e a comunicação produzida a partir dos nossos territórios não é importante apenas nos anos eleitorais. É um trabalho contínuo, que precisa começar desde já, para que o Nordeste siga contando suas próprias histórias e participando ativamente dos debates sobre os rumos do Brasil.
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