Opa, tudo joia?
Tem muito olhar virado pro Norte agora, né? A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) ainda nem começou, mas as manchetes e “opiniões” já pipocam faz tempo. Em muitas delas, o velho tom de estereótipo e exotização segue firme. Quem cobre a Amazônia já tá acostumado. Quem é do Nordeste, também. As duas regiões seguem lidando com parte de uma imprensa que olha de fora, fala por cima e pouco escuta quem tá ali.
Aqui na Cajueira, a gente acredita e investe em ferramentas que ajudam a mudar esse cenário. Foi por isso que, em 2023, criamos o nosso Banco de Fontes nordestinas e o Banco de Freelas, uma ferramenta que busca conectar profissionais nordestinos a veículos de comunicação e organizações de todo o país. Quem precisa de gente boa encontra de forma facilitada. E quem quer trabalhar tem onde ser achado. Facinho, né? E, assim, com freelas falando do próprio território, fica mais difícil cometer narrativas preconceituosas.
A Giovana Cury, jornalista do Maranhão, foi uma das primeiras a se cadastrar. Pouco tempo depois, a Agência Pública entrou em contato chamando ela pra fazer uma matéria sobre as enchentes no estado. Uma pauta super relevante, e, que, quando contada por quem é de lá, ganha outro peso.
“Sempre tive esse anseio de dar mais amplitude para as notícias locais. Tudo que a gente vê na imprensa é sempre sobre o Sul, Rio, São Paulo… Poxa, o Maranhão também precisa ser ouvido. Esse projeto foi ótimo para mim, para o site (Pública) e, principalmente, para o Maranhão, que ganhou amplitude nacional. Todo mundo saiu ganhando.”
A experiência do nosso vizinho, o Norte
Esse tipo de conexão acontece quando tem rede, estrutura e disposição. E é isso que outras iniciativas, como o Amazônia Vox, também vêm fazendo com seriedade. A plataforma tem um banco de profissionais da região Norte, criada por Daniel Nardin, já ultrapassou 1.100 pessoas cadastradas nos nove estados da região amazônica. Gente da ciência, da comunicação, das comunidades, das culturas locais.
“Eu acredito muito na boa fé e num interesse genuíno de ampliar espaço para as vozes da região, com cada vez mais intensidade e frequência. A gente criou o banco porque era sempre o mesmo cenário: jornalista procurando fonte e caindo no famoso ‘alguém conhece alguém?’. Agora temos uma ferramenta que facilita e valoriza quem é da região. E mais: não só pra falar sobre a Amazônia, mas a partir dela.”
Daniel reforça que esses bancos, de fontes e freelas, com recortes específicos, são importantes pra conectar quem produz conhecimento com quem produz conteúdo. No ambiente digital, essas trocas se tornam ainda mais possíveis.
“Eles ajudam a construir um jornalismo mais decolonial. Um jornalismo que retrata uma região com as vozes de quem vive nela. Isso traz mais contexto, mais diversidade de pautas e fortalece o jornalismo local. Eu acredito bastante na troca entre os diferentes centros de produção jornalística, em que um pode complementar o outro. Eles não se excluem.”
Tais vendo? Esses bancos funcionam como atalhos pra romper com o circuito fechado do jornalismo centralizado e abrir espaço pra outras vozes, olhares, vivências e perspectivas.
Se tu é jornalista do Nordeste e ainda não está no nosso banco, bora se inscrever? É de graça e pode render bons encontros profissionais. E se tu tá produzindo uma pauta e busca alguém da região com contexto para falar do assunto, os bancos de freelas e fontes também vão ajudar muito!
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O poder da leitura
A Mangue Jornalismo mapeou mais de 40 clubes do livro em Sergipe. A pesquisa mostra a diversidade de temas, formatos e públicos que têm se reunido pela mesma paixão.
Em Vitória da Conquista (BA), o Avoador publicou uma reflexão sobre a potência das escrevivências femininas e projetos que mostram que a leitura não é só um ato individual.
A Feira Literária de Campina Grande (PB) foi reconhecida como Entidade de Utilidade Pública Municipal. Entre os projetos da Feira, o Leitura Viva, que já beneficiou mais de 4.369 estudantes. Leia mais na Paraíba Feminina.
A cidade de Júlio Borges (PI) foi um dos destaques da nova avaliação do MEC sobre alfabetização infantil. O município saltou de 43% para 100% de crianças alfabetizadas em um ano. Confira no Política por Elas.
E se tu curte garimpar livros fora do circuito tradicional, a Agência Saiba Mais traçou uma rota pelos sebos da Grande Natal (RN).
Violência em números
Na Região Metropolitana do Recife (PE), o número de crianças baleadas quase triplicou no primeiro semestre de 2025 em comparação com 2024. Foram 13 crianças atingidas por disparos de arma de fogo, sendo 3 mortas e 10 feridas. Confira a análise dos dados pela Marco Zero Conteúdo.
Grupos neonazistas têm ganhado força em Pernambuco, conforme revelou investigação da Marco Zero Conteúdo. Relatos apontam que a ausência de punição tem deixado esse tipo de movimento agir com relativa liberdade.
Em Alagoas, o Anuário da Segurança Pública indicou que o estado segue como o 5º com maior incidência de mortes violentas no Nordeste. Confira no Mídia Caeté.
O Maranhão subiu do 12º para o 6º lugar no ranking dos estados mais violentos do país. A Agência Tambor conversou com um historiador e especialista em Segurança Pública.
Avanços para a população LGBT+
No Rio Grande do Norte, foi sancionada uma nova lei que garante a retificação de nome e gênero para pessoas trans e travestis diretamente nos cartórios, sem a exigência de decisão judicial. Confira na Agência Saiba Mais.
Ainda no estado RN, outra conquista importante: o governo reconheceu o direito da população LGBTQIA+ de doar sangue sem discriminação.
No Ceará, o portal Ceará Criolo reuniu histórias de estudantes trans em universidades públicas. Os relatos mostram como a presença dessas pessoas nos espaços acadêmicos ainda enfrenta obstáculos, mas também revela caminhos possíveis e transformadores.
Em Fortaleza (CE), o documentário “Cangayceiros: Ocupando Espaços em Campo” será exibido gratuitamente no Kuya – Centro de Design do Ceará. O longa de 2025 conta a trajetória de um time LGBTQIA+ de futebol 7 que resiste à LGBTfobia há seis anos.
Memes Nordestinos 🌵
E hoje sabemos a música de cor!
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