E aí, você já tirou a bota do armário?
Por aqui, os preparativos para o São João começaram, estamos oficialmente na contagem regressiva! Faltam menos de dois meses para dançar um forrozinho colado (sorte de quem tem um cangote para cheirar), comer muito milho assado e celebrar a maior festividade do Brasil. Perdão, carnavalescos. Estamos doida para ouvir João Gomes cantando no pé do ouvido que ele tem a senha e de Flávio José dizendo que ele não é dono do mundo, mas é filho do dono.
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Retomando, em meio à celebração, as críticas sobre as programações das festas arrocharam de uma ponta a outra, seja em Caruaru-PE, Serrinha-BA e Campina Grande-PB. Não é de hoje que as pessoas protestam – de como e por quem – as grades de shows são pensadas.
De um lado, quem cultua o São João questiona que o festejo sofre um esvaziamento cultural ao substituir artistas locais e aqueles que sempre fizeram parte da cena por atrações de sertanejo, funk e até DJs. Do outro, quem tem a caneta na mão argumenta que a programação é feita com base no “gosto do público”, independentemente do gênero musical.
Na programação de Caruaru, por exemplo, Santanna o cantador, Noda de Cajú, Forró da Brucelose e Baby Som, que são nomes conhecidos da festa junina, ficaram de fora do palco principal da festa da cidade deste ano.
Inclusive, em 2023, a prefeitura de Caruaru abriu um chamamento público de R$ 2 milhões para empresas de apostas digitais, as bets. Quem levou foi a ‘Aposta Ganha’, que até ano passado seguia como patrocinadora master pelo quarto ano consecutivo. Tudo indica que essa edição deve repetir o mesmo caminho.
Na Bahia, prefeitos definiram critérios para a contratação de artistas neste São João. Embora não tenha sido fixado um teto de gastos, ficou encaminhado um “teto técnico de referência”, baseado na média dos cachês pagos no ciclo junino anterior, corrigida pela inflação (IPCA). Em casos de contratações acima do padrão, os gestores terão que apresentar justificativas, considerando interesse público e capacidade financeira, como mostrou o site baiano Muita Informação.
No meio desse rebuliço a gente fica se perguntando se ainda é possível pensar em um festejo junino que não seja focado apenas no lucro e nos bolsos de quem tem o “poder”. Aquele São João de interior, onde a preocupação era quem tinha a fogueira mais alta e bonita da rua. Por mais disputas de quadrilha, guerras de espada, bênçãos do nosso santo casamenteiro, Santo Antônio, e de bucho cheio com as comidas típicas.
Quais são os caminhos possíveis entre a preservação das tradições e a renovação da festa? É possível que o São João, que resiste no nosso imaginário, de chão de terra batida e da celebração da vida rural, regado ao som da sanfona e zabumba, resista à indústria dos grandes shows, de forró estilizado, do piseiro, que também representam a nossa cultura?
Como bem disse nosso mestre Durval Muniz no Diário do Nordeste:
“Devemos ter cuidado com essa forma de pensar conservadora e reacionária de que aquilo que é popular deve permanecer fossilizado, deve manter uma pretensa tradicionalidade que é sempre uma invenção de quem muitas vezes apenas vê de fora o evento. Talvez essa classe média sinta saudade é de uma festa em que elas eram as principais presenças e que agora também elas estão com dificuldade de participar.”
Se Durval afirmou que haverá novas formas de brincar as festas juninas, tá dito. Já salve nossa playlist chic de la chic pra entrar no clima e começar a arrastar os pés.
Agora, bora de mais links que hoje o moído foi grande!
Pernambuco, Ceará e Piauí lideram a devastação na Caatinga. Entre os dias 9 e 19 de março de 2026, a força-tarefa identificou 10.434 hectares de desmatamento ilegal distribuídos por nove estados, conforme aponta a Eco Nordeste.
Não sei se você acompanhou a peleja de João Gomes para encontrar um arquiteto disposto a desenvolver um projeto com cara de casa. O pessoal do Budejo conversou com André Moraes e Carol Mapu, pernambucanos responsáveis pela assinatura da casa que o artista passou o Natal.
Conquista Repórter denuncia falta de recursos para obras como a construção de uma ponte ou manutenção das estradas no quilombo Barreiro.
Estamos nessa energia para o São João.
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