Oi, minha gente, tudo bem?
O Oscar não veio, mas o filme “O Agente Secreto” ainda é assunto repercutido por muitos veículos independentes do Nordeste. O Mangue Jornalismo, de Sergipe, acertou em cheio ao dizer que o sucesso do filme expôs o preconceito contra o cinema nordestino, que alguns ainda teimam em enquadrar como “regional”. Na transmissão da HBO, uma comentarista teria inclusive dito que “Ainda Estou Aqui é um filme brasileiro e O Agente Secreto é um filme recifense”. Errou. O filme é brasileiríssimo, sem deixar de ser muito recifense, pernambucano e nordestino.
O engraçado é que o bairrismo do cineasta Kleber Mendonça Filho incomoda muito mais do que os milhares de filmes e séries estadunidenses que celebram o jeito de viver novaiorquino, por exemplo. Síndrome de vira-lata ou não, o revolucionário é que, dessa vez, uma capital nordestina – e não NY ou qualquer cidade rica do Norte Global – é o centro de uma narrativa que conquistou públicos do mundo inteiro. Isso prova o que a gente defende o tempo todo aqui: histórias não podem ser classificadas como regionais somente porque se passam no Nordeste.
Toda história nasce em um lugar — mas isso não a impede de atravessar fronteiras geográficas e culturais, nem de provocar sentimentos universais. Falamos aqui do Nordeste, mas poderia ser qualquer outro território. Por que, então, narrativas que vêm de fora dos grandes centros econômicos seguem sendo vistas como locais ou particulares, enquanto as experiências das megalópoles capitalistas são tomadas como universais?
A representatividade que o filme carrega foi uma espécie de reparação para um público que nem sempre se vê representado pela mídia e que achava que a vida de verdade acontecia apenas em “outro eixo geográfico”, como escreveu Silvia Macedo na Marco Zero Conteúdo. “A crítica internacional identificou no filme uma obra capaz de articular história, tensão e ironia sem perder o contato com a realidade que representa – e reconheceu nele uma forma própria, insubstituível, de falar sobre violência, repressão e território.”
Nessa pegada do pertencimento e do orgulho que a gente sente ao se ver representado na tela, nos apaixonamos por personagens como Dona Sebastiana (afinal, quem nunca conheceu uma dona Sebastiana na vida?) e por tantos atores que a gente não conhecia, mas que dão o molho inconfundível da diversidade brasileira. Vale ler a história de Ane Oliveira, uma servidora pública e atriz que faz parte do elenco, que o Eufemea contou.
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